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Tratamento Antes
de mais nada, tenha uma certeza: não existem métodos miraculosos
no tratamento da dependência química. Os modismos que existem
nesta área são normalmente tratados de maneira sensacionalista,
prometendo soluções rápidas e eficazes como se os
seres humanos tivessem saído de uma mesma linha de montagem.
Vale destacar o pensamento do Dr. Dartiu Xavier da Silveira Filho, psiquiatra, consultor científico em farmacodependência da Organização Mundial de Saúde (OMS), quando diz que "a toxicomania é um fenômeno polimórfico". "Cada estratégia de tratamento tem de ser personalizada", conclui. Basicamente, existem três tipos de tratamento para dependentes de drogas: grupos de auto-ajuda, terapias psicológicas e internação. Podem ser aplicados separadamente ou em conjunto, variando de caso a caso. Dos grupos de auto-ajuda, o mais conhecido
de todos atende por A.A., sigla de Alcoólicos Anônimos. Com
milhares de grupos espalhados por todo mundo, pessoas de todas as religiões,
sexo, idade, raça e condição social têm conseguido
deixar de beber ao entrar para A.A. desde o início de suas atividades,
em 1935. Talvez a melhor definição sobre Alcoólicos
Anônimos esteja resumida nos dois parágrafos que são
lidos na abertura das reuniões de muitos grupos: "Alcoólicos
Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham
suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver
seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo."
Na mesma linha, existem ainda os grupos
de Narcóticos Anônimos (NA), Amor Exigente (AE), Comunidade
Casa Esperança e Vida (CCEV), Neuróticos Anônimos
(NA) para usuários de outros tipos de drogas. As terapias psicológicas, segundo
descreve o Dr. Içami Tiba no livro 123 Respostas Sobre Drogas,
"...são importantes em todas as etapas do envolvimento com
a droga, pois atuam nos valores pessoais, na filosofia de vida de cada
um, resolvem os conflitos e modificam a postura do indivíduo perante
a droga". Internar o dependente deve ser o último recurso, utilizado quando todas as demais tentativas fracassaram. Interná-lo contra sua vontade só pode ser cogitado se o paciente apresentar grande risco de vida para si ou para as pessoas que o cercam. Não são raras as ocasiões em que as famílias internam seus filhos em uma clínica apenas para transferir o seu problema para outros. Em todo Brasil, existem excelentes hospitais e clínicas com tratamentos sérios e competentes, sendo que alguns servem de referência até no exterior. Infelizmente, funcionando paralelamente a estes serviços, criou-se uma verdadeira indústria no tratamento de usuários de drogas, que vendem ilusões e ganham muito dinheiro. Para ajudar a diferenciá-los, seguem algumas dicas: 1.Solicite referências. Informe-se com um médico de sua confiança a respeito do lugar onde você pretende internar seu filho.Procure também outros profissionais da área e recolha mais informações. Referências de pacientes que já foram tratados no local também podem ajudar, desde que não sejam indicados pela própria clínica ou hospital. Explica-se: se o tratamento não for sério, nada impedirá que se monte um verdadeiro teatro para convencer pais e dependentes da eficácia do tratamento. 2.Informe-se sobre detalhes do tratamento. Tempo de internação, MEDICAMENTOS utilizados, acompanhamento clínico, terapias ocupacionais, atividades físicas, número de consultas semanais e tempo de duração, terapias em grupo, etc. 3.Conheça o local. Visite quartos,
banheiros, refeitórios, pátios, quadras de atividades esportivas,
enfermarias, salas de televisão e tudo mais que houver para conhecer.
Verifique a higiene e o estado de espírito dos pacientes e funcionários.
Se isto lhe for negado, troque de clínica ou hospital. Este não
é apenas um dever seu como familiar, mas também um direito
como consumidor. |
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