O Adolescente
Psicóloga: Luciana Aparecida Minelli
Fone: (11) 45220514
Termo adolescência vem do verbo latino
adolescere, que significa, cresce até a maturidade. Usamos essa
palavra para designar o período de mudanças que vai dos
10 anos até a maturidade.
Podemos dividir esse período de
desenvolvimento em 4 fases :
· Pré-adolescência - dos 10 aos 12 anos ;
· Adolescência inicial - dos 13 aos 15 anos ;
· Adolescência média - dos 16 aos 18 anos ;
· Última adolescência - dos 18 aos 21 anos.
cada fase é caracterizada por certas
alterações do organismo e mudanças na personalidade
em geral, como os desejos, as necessidades, os interesses, os hábitos...
Já o termo puberdade é empregado
para designar o período da adolescência em que ocorre o amadurecimento
das glândulas reprodutoras, que é acompanhado do desenvolvimento
de certos órgãos, aparecimento de pêlos nas axilas
e em torno dos órgãos sexuais, e de outras modificações,
que vão, em média, dos 11 aos 13 anos nas meninas e dos
12 aos 14 anos nos meninos.
Enquanto os filhos são crianças,
os pais se preocupam quase que exclusivamente com as necessidades fisiológicas
deles e estes não têm consciência do alcance dos atos
dos adultos, na adolescência, os jovens têm consciência
dos papéis que desempenham na família, na escola e na comunidade
e julgam a conduta dos pais, professores , autoridades, amigos e outras
pessoas, tomando uma posição e assumindo atitudes em relação
aos acontecimentos e à forma como são aceitas suas idéias
no grupo social em que se encontram. A adolescência é um
período de mudanças na personalidade e o jovem não
é mero espectador dessas mudanças, ele pode atuar sobre
si mesmo, controlando suas explosões, aceitando os pais como eles
são, abandonando certos vícios e reforçando certos
hábitos importantes para a superação de muitos problemas
e realização de muitas tarefas, como o de estudar o de refletir
antes de agir, de respeitar as pessoas. Conhecendo-se, ele estará
em melhores condições de compreender-se e viver assim, de
maneira mais harmoniosa as suas relações. Muitas vezes,
a interferência na vida dos jovens, principalmente por parte dos
pais e professores, não é bem compreendida ou aceita, porém,
é preciso que estejamos sempre abertos ao diálogo, a franqueza,
ao amor e ao respeito mútuo.
Dimensões Existenciais Fundamentais
na Etapa Juvenil
A adolescência é uma fase
de profunda crise existencial. Daí a imprecisão e a instabilidade
psicológica do jovem. A infância e a idade adulta, apear
da complexidade de sua maneira de ser, são fases evolutivas nitidamente
diferenciadas, cuja característica pessoais são muito mais
claras e precisas do que as, da adolescência. A característica
própria do adolescente é , justamente, não haver
estabelecido sua identidade . A raiz mais profunda de sua dificuldade
em ser compreendido está na perplexidade com que se encontra diante
de si mesmo.
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2 - Quem é o Adolescente?
A adolescência é uma transformação
profunda que impõe ao jovem grandes exigências de adaptação,
relacionadas com as novas funções biológicas, novas
formas de relação interpessoal e novas responsabilidades
familiares e sociais.
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3 - Quais São as Mudanças Biológicas
do Adolescente?
Até o final da infância, a
hipófise, glândula encarregada de regular a atividade de
todas as demais glândulas do organismo, começa a estimular
os testículos nos rapazes e os ovários nas garotas, com
a finalidade de pô-los em atividade; assim pode-se observar no pré-adolescente
um aumento progressivo na circulação de hormônios
sexuais, que passa despercebido no começo, até que sua concentração
é suficiente para provocar mudanças próprias da puberdade,
o que normalmente ocorre entre os doze e os dezesseis anos nas mulheres,
e um pouco mais tarde nos homens.
A puberdade é a fase em que amadurecem
os órgãos reprodutores do indivíduo; manifesta-se
nos garotos com o crescimento gradativo dos testículos e do pênis,
com a aparição de pêlos na regiões genital
e nas axilas, com surgimento de bigode e de barba, com a mudança
da voz e com a primeira ejaculação noturna, durante o sono.
Apesar de não se conhecer com certeza o início da fertilidade,
tudo parece indicar que os primeiros espermatozóides com capacidade
d fecundar aparecem por volta dos quinze anos.
Nas meninas, o primeiro sinal da puberdade
é o crescimento dos seios e o engrossamento do quadril; pouco depois
aparecem os pêlos na região genital e nas axilas, aumentam
e modificam-se as secreções vaginais, até que ocorre
a primeira menstruação, um ou dois anos após o início
deste processo, marcando com esse fato o começo dos ciclos menstruais.
Além das mudanças específicas
em cada sexo, os homens e as mulheres adolescentes apresentam outras transformações
crescimento assombroso do menino que começa a ganhar peso e de
estatura com uma rapidez que deixa os pais admirados, quando eles descobrem
que o zíper da calça não fecha e os botões
estouram, que a calça comprada há pouco tempo não
chega a cobrir a metade das pernas, e o comprimento da blusa não
atinge o fim das costelas, a barra da saia fica muito longe dos joelhos
e os pés não agüentam os sapatos quase novos. É
natural que o ritmo acelerado de crescimento traga um aumento das necessidades
nutricionais, e é por isso que o apetite dos adolescentes chega
a ser voraz; assim o demonstram a rapidez com que devoram um prato de
comida depois de outro, e a perplexidade das mães ao comprovar
que o estoque de alimentos da família desaparece como por um passe
de mágica.
Corpo também muda sua forma; as
extremidades se desenvolvem até o ponto que a cabeça representa
uma proporção menor da silhueta total no adulto; desaparece
a redondeza do rosto, começa-se a perceber a estrutura óssea
e os traços definitivos da face; a pele se faz mais grossa e pálida,
aumenta o tamanho dos poros e aparece a gordura na cútis; o cabelo
adquire mais pigmentos e resistência, os ossos ficam mais rijos
e a dentição completa seu processo de formação
com o aparecimento dos últimos molares, por volta dos dezoito anos
idade.
As mudanças físicas do adolescente
repercutem no seu estado de ânimo, porque, enquanto dura a transição,
perde o semblante e as características da criança sem ter
ainda adquirido as de adulto, e percebe sua própria imagem como
um retrato borrado. Isso provoca no jovem um sentimento de insegurança
que o conduz a cuidar, com especial atenção, de sua aparência
física. Assim se explicam as horas que passa diante do espelho
arrumando o cabelo, ensaiando novos penteados ou experimentando diferentes
roupas, assim como a preocupação exagerada por fazer regimes
e cuidar da pele.
Alguns problemas físicos como a
obesidade e a acne são relativamente freqüentes entre os adolescentes;
apesar de não serem graves, merecem especial atenção,
pois acentuam neles o sentimento de insegurança e interferem negativamente
em seu estado emocional.
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4 - Como é o Adolescente do Ponto de Vista
Psicológico?
Comparável à evolução
biológica aqui descrita é a transformação
do adolescente no plano psicológico, que culmina no domínio
das habilidades e destrezas necessárias para viver como um adulto
autônomo e independente. Esta é uma fase da vida cheia de
riquezas e conquistas importantes, mas também de dificuldades,
porque a simultaneidade e a magnitude de tantas mudanças trazem
uma desestabilização que comove, em certa medida, o jovem
e a família. Para compreendê-la, farei uma descrição
das características do adolescente no que diz respeito ao seu desenvolvimento
intelectual e emocional e também ao seu processo de inserção
na sociedade.
· O Desenvolvimento Intelectual
do Adolescente
Cérebro atinge seu processo de desenvolvimento
durante a adolescência; por isso, nesta idade, o jovem começa
a utilizar plenamente suas faculdades mentais e a exercer funções
intelectuais que estavam fora do seu alcance poucos anos antes. Assim,
por exemplo, adquire a capacidade de pensar o abstrato, ou seja, de refletir
sobre os elementos que ultrapassam a realidade imediata e palpável;
também pode tomar seu próprio pensamento como objeto de
reflexão; considerar todas as possíveis combinações
de elementos; analisar várias alternativas de solução
para um mesmo problema; distinguir o falso do verdadeiro; confrontar as
hipóteses com a realidade e atingir a máxima eficácia
na aquisição e utilização de novos conhecimentos.
Como resultado de sua identidade definitiva e adquire consciência
de sua individualidade. Diferente da criança, cujos interesses
estão dirigidos à descoberta do mundo exterior, o adolescente
submerge nos seus próprios sentimentos, reflexões e vivências,
tentando descobrir e consolidar o que o diferencia dos demais, isto é,
o que paulatinamente, vai analisando e reconhecendo suas virtudes, habilidades
e limitações, até chegar a aceitar-se tal como é,
com os aspectos positivos e negativos da sua individualidade. Ao mesmo
tempo, o pensamento abstrato abre para ele o horizonte da reflexão
filosófica e o jovem enfrenta pela primeira vez dúvidas
transcendentais, tais como : quem sou eu ? Por que e para que existo ?
Por que nasci destes pais, nesta família e nestas circunstâncias
? O que desejo fazer da minha própria vida ?. Assim começa
o processo de autodeterminação, que consiste em estabelecer
um objetivo para a totalidade da sua existência e comprometer-se
a atingi-lo; é um processo árduo e difícil, que põe
em jogo todos os recursos mentais e emocionais do jovem na consideração
de uma grande variedade de opções, no estabelecimento de
critérios e prioridades para a tomada de decisões, na adoção
de um sistema de valores e na formulação de um código
ético; mais adiante, o processo acaba na definição
da própria vocação, na eleição de uma
profissão e na opção pessoal no campo da fé.
O espírito crítico e a inconformidade com a realidade são
características típicas do adolescente, que exercita suas
habilidades mentais recém-adquiridas na análise e questionamento
de tudo o que está a seu redor. Diferente da criança, o
adolescente já não se conforma em saber como são
as coisas, quer averiguar por que são assim e por que não
são diferentes. Nada foge a seu olhar inquiridor; seus pais, sua
família, sua escola, as instituições, os governantes
e autoridades são um alvo permanente para seu juízo e censura.
Isso explica a tendência dos jovens a assumir posições
dogmáticas e radicais em matéria de política e a
formular opiniões relacionadas com os problemas da humanidade.
No plano intelectual, o adolescente dedica-se
a aplicar suas faculdades mentais à análise e ao questionamento
do mundo que o rodeia; tentando abranger e resolver diversas perguntas
ao mesmo tempo, acaba atrapalhando em suas próprias reflexões.
Isso o leva a um estado de ambivalência; sente-se confuso, porém
não tolera a confusão e defende-se dela com a formulação
de respostas simples e taxativas às inquietudes que o perturbam.
Assim se explica sua atitude vacilante entre duas tendências contraditórias:
a de questionar tudo para exercer suas novas habilidades analíticas
e a de procurar teorias, princípios e valores absolutos para ter
vários pontos de referência que permitam a ele continuar
suas explorações sem perder o rumo. Por achar-se a ponto
de culminar o processo de emancipação intelectual, o adolescente
exercita todas a s funções mentais próprias do adulto,
ainda necessitando, porém, do apoio de elementos absolutos, tal
como a criança que já pode caminhar, porém não
se atreve a soltar a mão de sua mãe.
· A Situação Emocional
do Adolescente
Por achar-se em um período de transformação
acelerada e profunda, o adolescente experimenta uma comoção
emocional que repercute em seu comportamento e com freqüência
acarreta situações difíceis tanto para ele como para
sua família.
Vejamos as principais:
o despertar para a psicossexualidade. Como
conseqüência do amadurecimento biológico e a circulação
de hormônios sexuais no organismo, o adolescente experimenta um
conjunto de sensações, pensamentos, fantasias e emoções
referentes à atividade sexual e sente uma forte atração
pelo sexo oposto, que conhecemos por despertar da psicossexualidade. É
importante ressaltar que este despertar não afeta unicamente os
órgãos reprodutores, mas também se projeta ao pensamento
e à vida sentimental dos jovens; além disso, durante a adolescência
se manifestam as principais diferenças entre os sexos nos aspectos
relativos às manifestações específicas da
psicossexualidade.
Assim, por exemplo, o rapaz sente-se fortemente inclinado às experiências
físicas do sexo, pensa no nu feminino e experimenta sentimento
de amor. Por isso o objetivo do desejo no homem pode ser qualquer mulher,
mesmo que esteja enamorado de uma jovem em particular. Pelo contrário,
a atração sexual na mulher se manifesta em forma sentimental
e se reflete em uma tendência ao romantismo, pelo que suas ilusões
abrangem as manifestações de afeto, ternura e compreensão,
e incluem também um lar e filhos. Além de tudo, seus desejos
sexuais estão fortemente ligados ao sentimento e se dirigem à
pessoa amada.
a inconseqüência na autovalorização. Por ser
uma transformação acelerada e profunda, a adolescência
desestabiliza o jovem, que já não se sente criança,
sem sentir-se ainda adulto. Assim começa o processo de redefinição
de sua própria imagem como conseqüência do processo
em que a existente, durante a infância, perde nitidez e se torna
nublada durante um tempo, enquanto se consolida a auto-imagem definitiva
do adulto.
No plano emocional, esse processo dá lugar a sentimentos contraditórios
que oscilam entre desanimado e sente-se incapaz de fazer o que tem de
fazer, amanhã se considerar-se-à o mais importante, inteligente,
hábil, valoroso e sábio de todos os habitantes do planeta.
Esse sentimento flutuante entre os dois extremos é o que conhecemos
como inconseqüência na autovalorização, e explica
certos problemas relativamente comuns entre os jovens, como tendência
à depressão, rebeldia, suscetibilidade excessiva e vulnerabilidade
à crítica.
Vale a pena ressaltar que a rebeldia é
uma conduta tão freqüente durante a adolescência que
é considerada normal nesta fase do desenvolvimento. Isso se deve
ao fato de, durante a época em que se vêem a si mesmos como
uma fotografia desfocada, experimentam uma necessidade irresistível
de afirmar sua própria identidade, porém como ainda não
tem definida sua auto-imagem, só podem senti-la por meio da oposição.
É como se dissessem : rebelo-me, logo existo, parafraseando o famoso
princípio de descartes.
Certa tendência à oposição
é saudável e necessária por ser um dos mecanismos
que reafirmam a personalidade do jovem.
a ambivalência perante a emancipação.
Segundo o dicionário, a palavra emancipação tem sua
origem no verbo latino emancipare, que significa liberar a alguém
da pátria potestade, da tutela, da servidão ou de qualquer
tipo de dependência; neste caso, utilizamos a palavra para nos referir
ao processo pelo qual o jovem se libera paulatinamente do controle de
seus pais até alcançar a autonomia própria do adulto.
Como resultado da inconseqüência na autovalorização,
o adolescente tem também uma atitude vacilante diante da autonomia,
conhecida como ambivalência ante a emancipação que
se manifesta na presença simultânea de dois desejos opostos:
o de ser livre e jogar fora a autoridade dos pais, e o fato de amparar-se
totalmente à sombra protetora como a mais indefesa das crianças.
Além disso, no mundo moderno, o adolescente se vê sujeito
à influência de fatores externos que condicionam seu acesso
à autonomia de formas muitas vezes contraditórias. Por um
lado, o prolongamento da educação, da convivência
com os pais e da dependência econômica adia, o momento em
que pode cuidar-se por si mesmo; por outro lado, os adultos dizem a ele
permanentemente que já não é mais uma criança
e exigem dele um nível cada vez maior de responsabilidades. Desse
modo, ambivalência perante a emancipação não
afeta unicamente o jovem, mas também seus pais, que se sentem confusos
e não sabem até que ponto e de que forma podem eliminar
os limites e os controles disciplinares que com grande segurança
impunham durante a infância.
A luta entre a independência e os obstáculos que se opõem
a ela é fonte de angústia e de conflito para as famílias,
porque conduz, com alguma freqüência, a uma polarização
das pretensões dos pais e filhos e provoca enfrentamentos que fazem
mais notória a rebelia dos jovens.
Ó a introversão. Como resultado da orientação
de seus interesses em direção a seu mundo interior, a criança
tagarela e comunicativa deixa de ser assim para converter-se em um jovem
calado, introvertido e em certa medida, misterioso, que se recolhe em
si mesmo para explorar este novo mundo, fascinante e sedutor, das suas
próprias emoções. Por essa razão, a adolescência
é a época do diário, do segredo, da intimidade e
do isolamento, como também da incompreensão e da ansiedade
para os pais, quando enfrentam respostas tais como:" me deixa em
paz"," isso é problema meu", "não se
meta comigo ", ou "sai daqui e me deixa em paz ", que interpõem
uma barreira entre eles e seus filhos.
Espírito crítico e a inconformidade
com a realidade são traços característicos do adolescente,
que exercita suas habilidades mentais recentemente adquiridas na análise
e questionamento de tudo o que está a seu redor.
A tendência a sonhar acordado é
um dos sinais mais evidentes da introversão do jovem e é
também um dos comportamentos que mais angustiam seus pais, os quais
se desesperam ao vê-lo perder tardes e mais tardes deitado na cama,
sem fazer nada : "que você está esperando para fazer
alguma coisa que preste ?", "você não enxerga que
está jogando fora os melhores anos da sua vida ?", "deixa
de ser preguiçoso!"... É importante ressaltar que certo
grau de inatividade é necessário para realizar a exploração
da própria intimidade e para adquirir a capacidade que permitirá
mais adiante seu ingresso na sociedade. Quando o jovem sonha acordado,
utiliza sua imaginação para poder ver-se atuando como adulto,
realizando diversas atividades, exercendo diferentes profissões,
superando todo tipo de problemas. Assim, exercita na sua mente o jeito
de reagir diante das situações imaginadas, começa
a identificar suas inclinações vocacionais, prevê
as possíveis soluções para os problemas que enfrentará
quando for adulto e se prepara para atuar como tal quando chegar o momento;
além disso, usa seu pensamento abstrato na reflexão sobre
sua própria vida e sobre a realidade que o cerca, o que constitui
o primeiro passo na definição de suas aspirações
e ideais. Por isso, a inatividade e a perda de tempo não são
motivo de preocupação quando são moderadas; somente
quando o jovem passa todo seu tempo, ou a maior parte dele, deitado na
cama ou isolado em um canto, temos de prestar atenção, porque
essa conduta pode ser um sintoma de depressão.
a instabilidade e agudização
das emoções. O movimento oscilante entre estados de ânimo
contraditórios repercute em todas as experiências afetivas
do adolescente. Assim podemos explicar a mudança repentina entre
sentimentos opostos, tais como : a euforia e a melancolia, o egoísmo
e o altruísmo, a presunção e a timidez, a audácia
e o temor, a piedade e a crueldade, a arrogância e a vergonha etc.
Além disso, os sentimentos e manifestam com maior intensidade nessa
etapa da vida; os jovens revelam certa tendência ao extremismo nas
suas experiências emocionais. No amor, este é platônico
ou arrebatador e irresistível; o enamorado ou a enamorada invade
todo o coração e toma por completo a vida do jovem e sua
ausência é uma tragédia que perturba o sono, acaba
com o apetite, afeta o rendimento na escola e até pode acarretar
doenças físicas. Se acontece uma briga, o amor transforma-se
em ódio e em rancor tão intensos como o sentimento positivo.
Quando o altruísmo e a solidariedade atingem o coração
do jovem, ele é capaz de chegar ao mais heróico dos sacrifícios;
quando reage com raiva, esta também é violenta e indomável.
Finalmente, e como conseqüência da comoção própria
da sua idade, os adolescentes têm maneiras de reagir que não
guardam proporção com o estímulo que os provoca.
Assim se explicam muitas situações discordantes, como aquelas
em que uma piada bem intencionada provoca uma cena de raiva incontrolável,
ou o mais simples dos reclamos origina um mar de lágrimas.
A ambivalência, isto é, o
movimento oscilatório entre duas tendências contraditórias,
é talvez o sentimento fundamental do adolescente, porque nele convivem,
ao mesmo tempo, a criança e o adulto, com todos seus desejos, condutas
e inclinações misturadas. Daí esse comportamento
imprevisível que tanto desconcerta, as mudanças repentinas
do seu estado de ânimo, o entusiasmo e a melancolia, o mau caráter,
as respostas violentas, as crises de choro, as cenas de raiva, e até
as notas ruins. Nossa capacidade para compreender os sentimentos dos filhos
durante essa etapa de sua vida determina a possibilidade de oferecer a
ele o afeto, o apoio e a orientação que possam ajudá-lo
a superar as dificuldades próprias de sua idade. Também
a condução adequada da nossa relação com ele
aumenta a possibilidade de que sua adolescência transcorra sem grandes
tropeços e chegue felizmente à formação de
um adulto sadio e equilibrado.
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5 - A Sociabilização do Adolescente
Por sociabilização do adolescente
entendemos o processo por meio do qual o adolescente aprende a relaciona-se
com outras pessoas e a desenvolver-se em grupos cada vez maiores e complexos.
É um processo que começa no nascimento, quando o bebê
se relaciona com sua mãe, e continua com a extensão gradual
do seu vínculo à família inteira, aos amigos da sua
rua, aos colegas e professores de sua escola, até que, ao chegar
à adolescência, começa a tornar-se independente de
seus pais para estabelecer contato com a sociedade no seu mais amplo sentido,
preparando-se para atuar nela como um adulto autônomo e independente.
A sociabilização do adolescente
é uma experiência comparável a saltar de um trampolim
a outro, pois abrange uma ruptura e nova vinculação: ruptura
porque pressupõe a emancipação dos pais, e nova vinculação
porque conduz à plena integração no mundo dos adultos.
Como o acrobata que permanece alguns instantes suspenso no ar, o jovem
passa, em transição à vida adulta, por uma etapa
de insegurança porque se sente impelido a abandonar o ponto de
parida sem ter ainda chegado ao seu destino. Vejamos os principais aspectos
dessa transição: a mudança da relação
com os pais, o estabelecimento de novas relações pessoais
e a integração ao grupo de amigos. Vejamos os principais
aspectos dessa transição: a mudança da relação
com os pais, o estabelecimento de novas relações pessoais
e a integração ao grupo de amigos.
Diferente da criança, o adolescente
já não se conforma em saber como são as coisas. Ele
quer compreender por que são, como são e por que não
são de outra forma.
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6 - Emancipar-se dos Pais
Esta é a etapa da vida durante a
qual se experimenta uma necessidade irresistível de rebelar-se
contra a autoridade e procurar a independência. Por isso, a criança
que há pouco tempo recebia sem questionar as repreensões
de seus pais, obedecia seus preceitos e desfrutava de sua companhia, transforma-se
de repente em um jovem insubordinado e respondão, que rechaça
suas orientações, infringe suas normas disciplinares e prefere
andar só ou com os amigos, a compartilhar com seus pais as atividades
familiares. Assim começam os conflitos e as diferenças que
tanto perturbam pais e filhos e que não são outra coisa
além de um sadio processo de emancipação que está
em marcha.
Trata-se, pois, de um processo que compreende
sois elementos igualmente importante e complementares entre si : a emancipação
do jovem e a modificação da função dos pais,
muito especialmente no que diz respeito ao exercício da autoridade.
A emancipação é uma tensão entre duas forças
opostas, o controle dos pais e o desejo do filho para libertar-se dele,
que desenvolve-se gradualmente até que desaparece quando o jovem
alcança sua independência e sua autonomia na idade adulta.
Na verdade, o processo não é tão harmonioso como
parece insinuar a definição, pois se desenvolve em meio
a dificuldades mais ou menos graves, segundo as características
da família, já que os jovens costumam reclamar mais liberdade
do que os pais estão dispostos a conceder; além disso, uns
e outros sentem-se vacilantes ante as decisões que devem tomar,
e os sentimentos de insegurança provocam reações
emocionais que intensificam as crises. O certo é que as situações
que se resolviam facilmente na infância são fontes de conflitos
com os adolescentes, porque não é nada fácil harmonizar
as aspirações de pais e filhos em relação
à condução da autoridade e da independência.
Ao mesmo tempo, a imagem dos pais e sua influência no comportamento
dos filhos também muda, porque a relação vertical,
baseada na autoridade, transforma-se gradativamente até converter-se
em uma interação horizontal, alimentada pelo afeto, admiração
e respeito; trata-se de uma mudança promovida pelo desejo de liberdade
e originada em uma nova imagem mais humana dos pais e também mais
acessível ao filho. Como parte integrante desse processo, o conceito
idealizado que o filho tem dos pais nos seus primeiros anos transforma-se
gradativamente, até chegar a conhecê-lo e aceitá-lo
como são realmente, com suas capacidades e limitações,
qualidades e defeitos. A relação afetiva também se
adapta à nova imagem: o amor respeitoso da criança em relação
aos seus superiores desaparece para dar lugar a sentimentos diferentes,
porém não menos profundos e significativos, de afeto e respeito,
baseados no reconhecimento dos seus valores reais e do que eles representam
em sua natureza humana.
A redefinição da imagem e
da relação com os pais está cheia de experiências
desconcertantes e dolorosas, porque os jovens costumam realizá-la
de forma brusca e implacável. Fazendo alarde da sua recém-adquirida
capacidade crítica, vigiam seus pais com olhar inquiridor, sempre
prontos a descobrir seus pontos fracos e a acusá-los sem piedade.
Também o espírito crítico, somado à luta para
obter uma maior liberdade, dá origem à vias-crucis dos conflitos,
às desobediências e à rebeldia; daí surgem
também os sentimentos de humilhação, vergonha, angústia,
raiva, tristeza, confusão e perplexidade, que invadem os pais quando
enfrentam os primeiros desafios de seus filhos.
Apesar disso, a humanização
da imagem dos pais é necessária, pois permite a estes estabelecer
um novo tipo de relação com os filhos e uma nova maneira
de exercer a autoridade. Para sermos mais exatos, a autoridade vertical,
definida como atributo para mandar e fazer-se obedecer, desaparece e dá
lugar à autoridade moral, baseada na identificação
dos filhos com os valores e virtudes de seus pais, e na capacidade que
estes têm de influencia-los por meio do testemunho, do conselho,
da opinião e do encorajamento. Assim, pois, a humanização
dos pais exerce um efeito muito positivo, uma vez que coloca ao alcance
dos filhos seu exemplo e estimula-os a segui-lo; também essa nova
autoridade permanece durante toda a vida, como acontece quando eles, já
adultos, procuram seus pais para obter um conselho e se beneficiam dessa
sabedoria que só chega com os cabelos brancos.
A ambivalência perante a emancipação
não afeta unicamente o jovem, mas também seus pais, que
se sentem confusos e não sabem como podem eliminar os limites e
controles disciplinares que com grande segurança impunham durante
a infância.
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7- O Estabelecimento das Novas Relações
Interpessoais
Ainda que a criança tenha amigos
desde pequena, o sentido da amizade muda profundamente durante a adolescência
porque, a parir desse momento, as relações interpessoais
tem como base um compromisso afetivo. Com efeito, a amizade entre as crianças
surge a partir de atividades em comum, como o jogo e o esporte, porém
o importante na sua idade é a atividade em si e não as pessoas
com as quais compartilham suas ações. Por isso a criança
está satisfeita enquanto tem alguém com quem brincar, ainda
que os integrantes do grupo mudem com muito freqüência. Ao
contrário, a amizade entre os adolescentes é uma relação
pessoas específica com determinada pessoa e não com qualquer
uma; ademais, é um laço afetivo que envolve os sentimentos
positivos ou negativos segundo os eventos da relação, porém
sempre intensos, como são o afeto, a melancolia e a solidariedade,
ou a raiva, o ciúme, o ódio e a inveja. São três
as características fundamentais da amizade entre os adolescentes,
{as quais nos referiremos : a empatia, a intimidade e a solidariedade.
empatia. Definida como a capacidade de
situar-se no lugar do outro e de sentir-se como ele se sente, a empatia
está sempre presente na amizade dos jovens porque o adolescente,
envolvido em uma crise que o confunde e o desconcerta, enfrentando grandes
desafios e invadido por sentimentos perturbadores, precisa relacionar-se
com alguém que o escute, que o compreenda e que tenha simpatia
por ele, e não existe melhor candidato idade com quem possa compartilhar
suas inquietudes e sentimentos, sem risco de ser julgado ou rejeitado.
a intimidade. A capacidade de compreender-se mutuamente e o laço
afetivo característico da amizade entre os adolescentes faz dessa
união uma relação íntima, exclusiva e particular-muito
semelhante ao namoro- que une os jovens de um mesmo sexo em um princípio,
tanto que adquirem suficiente confiança em si mesmos para estabelecer
esse mesmo tipo de relação com uma pessoa do sexo oposto,
no que se constitui o primeiro namoro verdadeiro. A comunicação
entre os amigos íntimos é intensa porque a confiança
que eles tem entre si é suficiente para compartilhar os segredos
e abrir sem restrições o coração.
a solidariedade. A empatia e a intimidade são atitudes mútuas,
porque o jovem brinda-as ao tempo em que se beneficia delas; por isso,
nos jovens nascem os sentimentos de altruísmo e solidariedade;
eles estão especialmente dispostos a interessar-se pelos assuntos
dos outros, desejam ajudá-los, identificam-se com os que sofrem
e são capazes de sacrificar-se por eles. A lealdade também
está sempre presente nas suas relações com o amigo
e em geral é tão incondicional que eles preferem enfrentar
uma experiência adversa para si mesmos para não se verem
obrigados a delatá-lo.
Amigo íntimo desempenha um papel de extraordinária importância
na formação do jovem porque lhe proporciona uma sensação
de companhia nos momentos confusos e de desconcerto, que são muito
freqüentes nessa idade. Graças à possibilidade de compartilhar
seus sentimentos com a pessoa que trilha o mesmo caminho, conta com a
compreensão e o apoio de alguém que está tão
confuso e desconcertado quanto ele, mas que sabe ao menos exatamente como
ele se sente.
A comunicação com os pais
geralmente sofre certas perturbações em conseqüência
do processo de emancipação. Assim, enquanto o jovem suspira
dizendo "não dá para falar com meu pai!", "não
adianta falar porque ele não me compreende!", "não
resolve falar com eles!", "se eu conto para eles ainda levo
bronca!", "por que falar com eles?", Os pais põem
as mãos na cabeça e perguntam: " quem entende esse
moleque?", "como posso adivinhar o que ele quer ?". Nessa
situações, o ouvido atento e receptivo de um amigo oferece-lhe
a compreensão e a empatia que acredita não encontrar em
seus pais nem em outras pessoas.
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8 - O Pertencer a um Grupo de Amigos
Grupo de companheiros também tem
uma função muito importante durante a adolescência,
pois proporciona ao jovem um círculo social reduzido e homogêneo,
no qual se sente à vontade, reafirmando sua própria identidade,
desenvolvendo suas habilidades de interação social e adquirindo
o amadurecimento suficiente para integrar-se ao mundo dos adultos; também
o círculo de amizades contribui para satisfazer três necessidades
básicas do adolescente: definir sua próprias identidade,
pertencer a um meio social estruturado e emancipar-se da família.
a definição da própria
identidade. Como temos visto, a auto-imagem do adolescente se parece a
uma fotografia sem foco, cujos traços não apresentam nitidez
porque ele está em um processo de redefinição. Pois
bem, o fato de pertencer a um grupo de companheiros coloca o jovem diante
de uma espécie de espelho, que reflete as características
comuns a todos e lhe permitem reconhecer pelo menos alguns elementos do
seu próprio perfil. Assim começa a reelaborar progressivamente
seu próprio retrato, identificando aos poucos os traços
exclusivos e específicos da sua própria personalidade, num
processo que dura vários anos.
Ainda que seja fato que todas as experiências do jovem, dentro e
fora do círculo de amigos, intervêm no processo para reafirmar
sua identidade definitiva, temos de reconhecer que interação
com seus amigos, as conversas, os conflitos, as reações
emocionais e todos os acontecimentos de sua relação com
eles, oferecem-lhe diversas oportunidades para descobrir e consolidar
aqueles atributos que o fazem uma pessoa única e diferente das
demais. Por isso não vacilamos ao afirmar que o grupo de adolescentes
proporciona ao jovem um apoio indispensável, já que ele
se acha num processo de redefinição da sua identidade.
o pertencer a um meio social estruturado.
Lembrando o exemplo do salto de um trampolim a outro, compreendemos os
sentimentos de solidão, temor e desorientação que
inquietam os jovens quando deixam para trás o mundo das crianças
sem ter alcançado ainda o dos adultos. Assim como o acrobata se
sente mais confiante e seguro quando está preso a uma corda de
segurança, o adolescente também precisa do apoio transitório
de um meio social estruturado e a seu alcance, onde poderá desenvolver
as habilidades necessárias para interagir com os adultos. Proporcionar
esse apoio é, precisamente, a função do grupo de
amigos.
Os grupos de adolescentes têm tantas características em comum
que formam uma verdadeira cultura com seus costumes e normas de conduta,
com seu linguajar, seu modo de vestir, com sua música e seus valores,
com seus símbolos e regras de jogo. Pertencendo a um círculo
de amigos, que por sua vez faz parte dessa cultura mais abrangente , o
jovem sente-se vinculado a um meio social suficientemente amplo para exercer
suas habilidades de interação com os demais e, ao mesmo
tempo, suficientemente reduzido e homogêneo para sentir-se seguro
de sua capacidade em lidar com ele. Isso explica por que uma das necessidades
emocionais mais imediata do adolescente é sentir-se aceito pelo
grupo de amigos.
o apoio para emancipar-se da família.
Como já foi visto, a emancipação gera tensão
entre as pretensões opostas de pais e filhos; o grupo de amizades
intervém de uma forma muito real no processo porque atrai o jovem
e o apoia em seus esforços por opor-se aos controles familiares.
Isso explica a obstinação com que resistem às pressões
dos adultos e mantém o comportamento que os irritam, tais como:
ter o cabelo comprido, as roupas desbotadas escutar música em volume
muito alto.
É tão importante o apoio do grupo na emancipação
do jovem que os pais os vêem dispostos a seguir cegamente os passos
das amigos e temem ter perdido toda a sua autoridade. Nestas situações,
os pais se sentem em um jogo de cabo em que puxam a corda a um lado enquanto
filhos e amigos a puxam para outro, e no qual o troféu é
a capacidade de influenciar o adolescente. Apesar de geralmente os pais
sentirem-se impotentes e ficarem abatidos por acreditarem ter perdido
o jogo, esta sensação é infundada, , pois, quando
o ambiente familiar é sadio e afetuoso, a autoridade não
se perde, mas se transforma, convertendo-se em ma nova autoridade-horizontal-
. O importante é compreender a situação e adaptar-se
a ela, substituindo gradativamente o exercício da autoridade vertical
pela capacidade de influenciar o jovem apenas pelo exemplo, pelo afeto
e pelo conselho.
Porém, não podemos cair na
ingenuidade de desconhecer a influência do grupo sobre o adolescente,
porque seus amigos apoiam ou atrapalham a tarefa educativa dos pais segundo
seu comportamento; se eles adotam ideais nobres, estudam com entusiasmo,
praticam esportes e levam uma vida sadia, ele fará o mesmo; quando
a situação é inversa, o jovem corre o risco de imitar
as condutas incorretas de seus amigos. Isso justifica a recomendação
para que os pais conheçam muito bem as amizades de seus filhos
, supervisionem-nas e mantenham um bom diálogo com suas famílias,
para evitar assim as más companhias.
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9 - A Integração à Comunidade
A sociabilização do adolescente
normalmente culmina com sua integração à comunidade,
porque como resultado de seu amadurecimento, o egocentrismo da infância
vai ficando para trás e dá lugar a novas atitudes de solidariedade,
altruísmo e espírito de cooperação que o convertem
em membro ativo e responsável da sociedade. Como parte deste processo
e com o apoio da uma adequada orientação, o jovem descobre
suas aptidões, inclinações e interesses particulares
até encontrar sua vocação e escolher uma profissão,
por meio da qual dará as contribuição pessoal ao
progresso da sociedade.
O primeiro passo nesse processo consiste em terminar de retocar seu próprio
retrato até uma auto-imagem nítida e bem definida. Devido
à as capacidade de refletir sobre si mesmo, o adolescente toma
consciência de seus traços genéticos, aptidões
e limitações, qualidades e defeitos; leva também
em consideração suas circunstâncias familiares e pessoais,
analisa os fatores que incidem em sua vida, avalia suas possibilidades
e aceita-se como é, com os aspectos positivos e negativos.
Uma vez definida sua imagem, o jovem procura
uma resposta à pergunta: " o que desejo fazer de minha vida?".
Esta é sua primeira tentativa de achar um sentido para sua vida,
entendido como a capacidade de estabelecer um objetivo para a totalidade
da sua própria existência e comprometer-se a alcança-lo.
O que acontece é que o homem, por ser único, tem uma missão
intransferível no contexto da criação e intui a possibilidade
de ser o que só ele pode chegar a ser; por isso deseja distinguir-se
dos demais e realizar-se no que tem de exclusivo e particular.
Mas adiante, à medida que se aproxima
a idade adulta, tem a faculdade de orientar sua formação
em uma direção voluntariamente determinada; isto é,
por meio de sua razão e sua vontade, pode modificar o determinismo
dos fatores hereditários, ambientais e educativos para atingir
o objetivo de ser tal como ele deseja, devido a suas faculdades que o
capacitam para vencer as circunstâncias adversas de sua vida e para
aperfeiçoar ao máximo seus valores e aptidões. Assim
o demonstram muitas vidas exemplares que, apesar de graves limitações
e em meio a circunstâncias as mais desfavoráveis, têm
atingido níveis inesperados de superação pessoal.
No plano da sociabilização,
a adolescência marca a etapa em que o jovem solta a mão de
seus pais para caminhar sozinho na vida. É uma etapa cheia de experiências
enriquecedoras, apesar de todos os problemas, porque a tensão da
emancipação, o encontro dos amigos íntimos, a influência
do grupo de amizades e o contato do jovem com o mundo exterior perturbam
sua relação com os pais, dando lugar a muitas incompreensões
e conflitos.
Em certa medida, a condução
da situação por parte dos pais determina a severidade dos
conflitos, pois em geral os problemas são simples e momentâneos
quando o jovem cresce cercado do afeto de seus pais, em um meio familiar
sadio e com uma dose devidamente equilibrada de controle e liberdade.
Porém o equilíbrio não é tão fácil
de ser obtido, uma vez que é a decorrência de um conjunto
de decisões tomadas diariamente e que se baseiam em critérios
e em situações em permanente mudanças, devido à
necessidade de adequá-las ao grau de amadurecimento do jovem.
Este, tal qual uma pipa, exige mais e mais
vôo: entretanto, quem tem a responsabilidade de seu vôo; não
pode permiti-lo de uma só vez, estando sempre alerta para puxar
ou soltar a linha segundo o que observa a cada instante, e de acordo com
a direção e intensidade do vento.
Somente quando tiver alcançado suficiente
altura e estabilidade poderá ser solta toda a linha para deixá-lo
voar à vontade. Como o dono da pipa, os pais se vêem obrigados
a decidir todos os dias e muitas vezes por dia, de acordo com as características
específicas de cada situação, se concedem ou exigem,
se permitem ou proíbem, se ampliam ou restringem a liberdade de
seu filho, até que este alcance o amadurecimento necessário
para dirigir seu próprio destino.
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10 - As Necessidades do Adolescente
As principais necessidades do adolescente,
cuja satisfação oportuna o distancia do perigo das drogas:
O adolescente necessita sentir o amor de
seus pais porque o calor de seu afeto nutre o sentimento de amor do filho,
da mesma maneira que os alimentos nutrem seu organismo.
O adolescente necessita de um lar aconchegante e estável; um ambiente
seguro no qual possa abrigar-se, para restabelecer a calma de seus sentimentos
perturbados pela crise
O adolescente necessita de fé, de ideais e de um sistema de valores
que lhe permitam encontrar e realizar algo que dê sentido para sua
vida.
O adolescente necessita também da orientação e apoio
de seus pais para avaliar situações, tomar decisões,
ser fiel às suas determinações, consolidar seu próprio
sistema de valores e realizar seus ideais.
O adolescente necessita ter um lugar com privacidade onde possa recolher-se
para explorar seu mundo interior.
O adolescente necessita de pais compreensivos, dispostos a escutar suas
confidências, compreender seus sentimentos, perdoar suas falhas
e ajudá-lo a corrigi-las.
O adolescente necessita ter oportunidades para exercer sua liberdade;
porém, também precisa de controle para estabelecer os limites
que ainda não é capaz de fixar e respeitar por si mesmo.
O adolescente tem necessidade de pertencer a um grupo de amigos sadios,
alegres e entusiastas, com quem possa compartilhar as atividades comuns
à idade e dar um salto para a vida adulta em um ambiente livre
de vícios e de perigos.
O adolescente necessita de momentos que lhe propiciem a canalização
de suas energias trasbordantes no esporte e no lazer.
Desconcerto, confusão, angustia, perplexidade, indecisão,
preocupação e insegurança são alguns dos sentimentos
que invadem os pais quando percebem os primeiros sinais da adolescência
sem seus filhos.
Falamos de crise da adolescência
por ser esta uma fase do desenvolvimento que perturba e desestabiliza
o jovem; porém, seus pais também entram em crise, pois repentinamente
sentem-se inseguros de sua forma de reagir e sentem-se perdidos em uma
verdadeira avalanche de perguntas, inquietudes, surpresas, decisões
e situações imprevisíveis. É uma sensação
comparável à de andar em um terreno movediço, depois
de ter caminhado sobre pedras por um longo trajeto, isto é, agora
não há lugar seguro, qualquer decisão constitui-se
num risco, tudo é confuso, não se vê um rumo definido...
A crise afeta também a família
pois perturba a harmonia nas relações e surge assim o conflito.
Ficam para trás os anos de tranqüilidade e chega a hora em
que o filho experimenta sua independência, prescindindo da companhia
dos pais e opondo-se a suas decisões; chegam também os desenganos,
as permissões preocupantes e as noites de insônia; até
que finalmente surgem os enfrentamentos, as rejeições, as
respostas desafiantes, as birras, o comportamento arredio, os dias tensos
e sombrios.
A gravidade desta crise oscila muito em
função do temperamento do jovem e de seus pais, da qualidade
da família e das características do meio social. Felizmente,
são mais freqüentes os casos nos quais a adolescência
transcorre sem maiores problemas porque as dificuldades do processo não
chegam a ser graves; mas também há outros em que os conflitos
rompem os vínculos afetivos e acarretam situações
seriamente destrutivas e irreversíveis, uma das quais, precisamente,
o tema que nos ocupa: a dependência das drogas.
Uma educação adequada
do adolescente por parte dos pais reduz a severidade da crise e evita
muitas de suas dificuldades.
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11 - Finalização
Infelizmente, um futuro tão obscuro
não deixa lugar para o otimismo, pois se o analisamos com realismo
não vemos esperança e se a vemos, temos medo de ter perdido
o contato com a realidade. No desejo de mudar a visão fatalista
do problema para um enfoque objetivo, contando também com a esperança,
temos lido e refletido muito, fixando nossa atenção nas
possibilidades de atuar para preveni-la. Por sorte, encontramos abundante
literatura sobre o tema, que assinala vários elementos comuns,
identificados na maior parte das pesquisas, os quais podemos tomar como
chave para abordar o problema. Por sorte, também, muitos desses
elementos pertencem à realidade familiar dos jovens e, portanto,
os pais têm a possibilidade de intervir neles.
Uma das conclusões fundamentais
das nossas reflexões, a mesma que de numerosas publicações
sobre o tema, é que a droga está no meio e o contato dos
jovens com os agentes que a induzem é praticamente inevitável;
por esta razão, a única prevenção eficaz é
fortalecer sua personalidade e seu caráter, desenvolvendo neles
valores, atitudes e habilidades que, como os anticorpos no organismo,
permitam a eles se defender do perigo. Porem, o fortalecimento da personalidade
não é suficiente para proteger o jovem da dependência,
pois a imprecisão relacionada com a forma de enfrentar o perigo
pode levá-lo a consumir drogas simplesmente porque a pressão
perante uma situação inesperada impede que o jovem possa
reagir de maneira adequada e oportuna. Por isso, é preciso, preparar
o jovem a partir da infância.
Mas, infelizmente, a capacidade de reduzir
os perigos da dependência às drogas não garante que
possamos eliminá-los totalmente, e alguns jovens chegam ao vício
apesar de terem recebido uma educação equilibrada e afetuosa.
Assim, é preciso estar atento, pois, os pais, sim, podem atuar
para proteger seu filho das drogas.
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12 - Bibliografia Sugerida
1. O que está acontecendo com o
meu corpo ?- Lynda madaras e dane saavedra- especial para os meninos;
2. O que esta acontecendo com o meu corpo ?- Lynda madaras e dane saavedra-
especial para as meninas; ed. Marco zero-sp
3. O adolescente por ele mesmo- tânia zagury-ed.record-sp
4. Professores para que ?- Georges gusdorf-ed.moraes-sp
5. Orientação familiar- maurício knobel-ed.papirus-sp
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