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(Carolina Bocchi Maia, Coren PR 30174) Há tempos tenho vontade de escrever sobre este slogan que, a primeira vista, parece algo estranho e impossível de encontrar alguém que possua isto em mente como propósito. Entretanto, à medida que presto atenção em detalhes do cotidiano naqueles que me cercam, quer sejam em familiares, amigos ou colegas de trabalho, por vezes, constato a dificuldade de encontrar pessoas desfrutando de verdadeira paz. A vida humana é frágil com uma flor. Hoje é, amanhã não é mais. Murcha-se como a erva do campo. Desaparece como a nuvem levada pelo vento O aparente êxito em uma determinada área da vida pessoal ou profissional não lhe garante a felicidade. Então, fico me perguntando: por que existem pessoas frustradas, fracassadas e infelizes? E, a meu ver, a resposta é simples. Porque não sabem viver. Podem ter dinheiro, fama, poder, cultura, entre outros, mas não sabem viver. Existir não é simplesmente viver. Viver é uma arte que requer sabedoria. Para elucidar o meu pensamento tomo como exemplo famílias envolvidas com a problemática de dependência química, em que ocorre perda do controle e ausência de limites sobre os atos praticados. Nelas percebe-se que os seus integrantes respondem de maneiras variadas aquilo que lhes têm incomodado, magoado, entristecido, provocado raiva, culpa, etc. Com o passar do tempo e, de maneira inconsciente o que se observa é que a maioria destas pessoas se acostuma com os problemas existentes no seu dia-a-dia de tal forma que, eles passam a fazer parte da sua rotina familiar e, inconscientemente, admitem como princípio que “Sofrer é fácil e ser feliz dá trabalho”. Este sentimento negativo toma conta da vida, de tal maneira que os membros da família se acomodam nesta zona de desconforto que se estabeleceu em torno da dinâmica disfuncional familiar e acreditam não haver mais nada a fazer a não ser “sofrer”. Ressalta-se que este sentimento negativo de aceitação do sofrimento como única opção, não é restrito a problemática das dependências químicas, mas é muito freqüente e pode ser observado em diversas outras situações da vida diária. Certa feita li algo que dizia que: “Somos gigantes intelectuais e pigmeus emocionais” e me chamou a atenção. Muito da nossa insegurança e medo é evidenciado quando queremos transformar os comportamentos dos outros, até porque isto normalmente resulta em tentativa frustrada. Quando cada um de nós entende que é tão livre, a ponto de respeitar as diferenças individuais, tem o privilégio de começar a olhar para si mesmos, e partir da ocorrência de mudanças em seus próprios comportamentos, há a possibilidade de acompanhar mudanças nos seus relacionamentos significativos. A esse respeito tenho aprendido também que não se deve esperar passivamente que a dinâmica familiar volte a sua normalidade espontaneamente e tampouco que os membros se ajustem ao seu jeito de ser. É preciso agir. As verdadeiras arapucas estão dentro de nós e, por vezes, temos dificuldades de reconhecê-las. As coisas simples que vivenciamos ocupam a maior parte do nosso tempo, mas em contrapartida, são também as mais difíceis de serem solucionadas, especialmente porque elas dependem de decisões. Com freqüência, dizemos que fomos enganados e que os culpados pelo nosso sofrimento são sempre os outros. Entretanto, o investimento de tempo e de prioridades destinados a administração dos problemas que lhe afligem, inicia em você com a opção de adotar pequenos gestos e atitudes com entendimento e sabedoria, dando um passo de cada vez. Nenhum crescimento acontece com a velocidade desejada. A decisão de mudar pode ser imediata, mas o processo leva tempo. É sempre mais e mais. Restaurar consiste em consertar o que estava destruído. Muitas vezes é fazer de novo. Viver a vida é um desafio constante de enfretamento de perigos e que a árvore salvadora é a instrução divina. Esta, por sua vez, não está limitada pelo tempo e tampouco pela cultura. Princípios como honestidade, fidelidade, verdade, respeito pela vida, entre outros são eternos e imutáveis. Não permita que este slogan Sofrer é fácil e ser feliz dá trabalho seja o termômetro que define a temperatura da sua vida. Atreva-se a ser e a fazer diferente. Creia que nunca é tarde para dar meia volta e reiniciar. Ninguém vive para si e nem morre par si. Qualquer decisão que você tomar hoje provocará conseqüências para você, para a família, para amigos e colegas de trabalho. Então, fica o convite.
03/10/2009 |
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