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03/02/2010 20:44:27
Meu nome é o meu maior patrimônio
Márcio Cavalca Medeiros

Não gosto de apelidos. Sempre que observo uma pessoa mais conhecida pelo apelido, do que com o próprio nome, fico imaginando a reação de seus pais. Já observei que muitos apelidos são colocados pelos próprios pais, para compensar o nome complicado que deram aos filhos. Como se fosse um arrependimento. Esse assunto foi tema em minha casa recentemente, em virtude de eu e minha amada Liza, termos que escolher o nome de nossa filha que nascerá em julho deste ano. Ao completar as 15 semanas de gravidez, faríamos os exames de praxe e saberíamos o sexo do nenê e teríamos que ter um nome de imediato.

Percebi que Liza ficou dias pensando no assunto e eu também, afinal, temos um relacionamento participativo em nossas vidas. Não pelo fato de ser um simples nome, mas por se tratar primeiro da expectativa em saber o sexo, para consequentemente optar por um nome. Antes, porém, passamos analisar as alternativas e chegamos a conclusão de que não se tratava de uma tarefa fácil, porque era preciso escolher um nome simpático e com significado. Logo de início Liza e eu descartamos uma série de nomes por terem semelhanças em nossas famílias anteriores. Passamos a procurar significados em nossas vidas em comum e chegamos a vários nomes, quando tomamos conhecimento de que o nome seria o primeiro e mais importante presente que daríamos ao nosso nenê, antes mesmo de nascer.

Este presente será levado para toda a vida e assim sendo a nossa responsabilidade aumentou e as escolhas passaram a ter cuidados redobrados. Cuidado com possíveis apelidos, comparações com outras pessoas, facilidade de pronúncia e de escrita, fonética e até de pessoas conhecidas bem próximas. Sem contar as combinações das iniciais. Não foi fácil. Passei a ver esta decisão como algo tão sério, e mais importante do que saber o sexo. Comecei a viajar nas minhas imaginações, tentando antever problemas que poderiam existir e que nós não queríamos ser os causadores. Depois de algum tempo, Liza e eu chegamos a uma conclusão para um menino e para uma menina, passando a aguardar a definição do sexo para anunciar a escolha.

Neste meio tempo reparei que o nome é o nosso primeiro patrimônio que herdamos e que procuramos mantê-lo sempre digno e respeitoso. Ninguém gosta de ter o nome em piadas, chacotas, comparações desagradáveis ou ser sinônimo de comportamento inadequado, ou até mesmo ser diminutivo ou aumentativo. Temos uma vida inteira na luta diária para mantermos um nome forte e respeitoso, herdados de nossos pais, daí a minha lamentação dos apelidos que naturalmente camuflam este presente familiar. Mas como manter o nome sempre respeitoso? Entendo que seja o resultado dos comportamentos diários da pessoa. Quando um nome vira grife, chega bem próximo da perfeição desejada, mas cada vez mais sensível e vulnerável fica, devido a exposição que passa a ter.

O golfista Tiger Woods é um exemplo bem atual disso tudo. Sendo o primeiro atleta bilionário no Mundo, tinha o nome como sinônimo de tudo que era bom. Patrocinadores, fortuna, respeito, admiração, idolatria e que por um comportamento inadequado, descoberto e escancarado, vem perdendo tudo um ritmo frenético. Hoje ninguém, e nenhuma empresa, quer associar a marca ou a imagem ao nome de Tiger Woods. Isto nos ensina de que a busca pelo respeito com o nosso nome é constante e qualquer deslize tudo é colocado a perder drasticamente. Confirma também que os nossos comportamentos estão atrelados as nossas companhias, pois, somos avaliados pela sociedade em geral de acordo com o grupo social em que você faz parte.

Assim sendo o bom nome que temos que manter é reflexo do comportamento adequado do nosso dia a dia. Liza e eu decidimos por Laura, uma menina. Este nome tem um significado importante para mim e para minha esposa, pois, nos consideramos vitoriosos pela determinação de anos lutando para concebê-la, e agora fomos premiados. Porém, não basta apenas o nome. Teremos que a partir de agora trabalhar na assistência à nossa filha para que tenha boa formação familiar e que tenha boas companhias, para que possa fazer boas escolhas.

A decisão de um simples nome não consiste apenas em dar uma referência ao filho, mas sim, a primeira palavra para que a história de vida seja iniciada. Procuro sempre evitar os apelidos, porque imagino que esta mesma preocupação e dedicação que Liza e eu tivemos, todos os pais também passaram por isso. O nome tem significado sempre, seja pela existência de um antepassado, ou pela formação ou união de palavras que se tornaram simpática. Nunca tripudiei ao ver um nome esquisito, mas sim busco compreender os motivos que levaram pessoas adultas colocarem determinado nome em pessoas inocentes, mas que devem sentir-se homenageadas por alguma razão.

Para aqueles que não gostam do próprio nome, razões devem existir mais do aspecto emocional e de relacionamento com os pais, o que justifica a atitude, pois, não deve ser fácil conviver com isso. De qualquer forma o respeito, a boa educação e principalmente a simpatia, sugerem que chamemos as pessoas pelos nomes e da forma correta, afinal, ao pronunciar o nome errado certamente a pessoa ficará magoada. Quer credibilidade maior do que ter um nome de respeito?

Márcio Cavalca Medeiros, radialista, empresário e jornalista
E-mail: mailto:marcio@medeiros.jor.br
Blog: marcio-medeiros.blogspot.com



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