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25/05/2010 22:01:51
Droga. Obama não surpreende ao apresentar sua estratégia focada em prevenção e tratamento.
 barak
 Barack Obama, um fumante.
Não se trata de nova política antidrogas, mas de um plano estratégico, com abandono de propostas de governos anteriores e de reaproximação à linha humanista do democrata Jimmy Carter, o 39º presidente norte-americano, com mandato de 1977 a 1981.

Barack Obama, ontem, apresentou os pontos principais e norteadores da sua estratégia para contrastar o fenômeno representado pelas drogas ilícitas no país campeão mundial de consumo.

O ponto fulcral está na redução nos próximos cinco anos (1) de 15% no número de usuários de drogas proibidas e (2) 15% nas mortes logo após o consumo. Para isso, o governo Obama incrementará a prevenção e o tratamento.

Para Gil Kerlikowske — novo czar das drogas da Casa Branca — o plano estratégico de Obama “representa uma reviravolta radical a respeito do passado”.

Durante muitos anos, destacou Kerlikowskw, cantou-se uma falsa vitória na luta contra as drogas. Os que anunciavam a falsa vitória baseavam-se, apenas, na queda no número de jovens que tinham experimentado maconha. Ignorava-se, asseverou Kerlikowske, o grande aumento de vítimas por overdose, causada pelo abuso no uso de novas drogas ou pelo consumo impróprio de medicamentos prescritos por médicos.

O presidente Obama reconheceu, ao anunciar a nova estratégia: “Trata-se de um desafio complexo que prevê, juntamente com o incremento da prevenção de base, o aumento de (1) metas e políticas de tratamento; (2) o reforço necessário no que toca ao esforço preventivo e (3) a colaboração com os nossos partners internacionais. Somente promovendo todas essas coisas juntos conseguiremos reduzir o consumo de drogas e os gravíssimos danos causados por elas à nossa comunidade”.

A nova estratégia encoraja os médicos de família a perguntar aos pacientes se têm problemas com drogas, de modo a antecipar medidas voltadas a convencer e conduzir ao tratamento.

Para médicos e operadores do campo das drogas e da toxicodependência, a estratégia inova ao inserir os eventuais tratamentos entre os chamados de base, preferenciais.

PANO RÁPIDO. O anúncio tardou. No início do mandato, Obama deu indicativos de mudança. Escolheu um czar que chegou criticando a política de “guerra às drogas”, iniciada no governo Ronald Reagan e nunca abandonada, apesar da completa falência.

Outro indicativo de que seriam feitas mudanças foi a determinação de Obama de a polícia federal cessar com as perseguições feitas aos que faziam uso de maconha para fim terapêutico, conforme estabelecido em leis estaduais. No particular, W.Bush soltou a polícia federal para prender idosos que usavam maconha. Para isso, Bush foi à Corte Suprema e logrou uma decisão que declarou ser de competência federal (e não estatual) a elaboração de leis sobre drogas ilícitas. Com isso, Bush entendeu inconstitucionais as leis estaduais que admitiam o uso médico-terapêutico da maconha e partiu para a repressão.

No final de 2009, Obama deu um breque no presidente mexicano Felipe Calderón, interessado em continuar a sua sangrenta e infeliz guerra às drogas que contava com o apoio financeiro dos EUA: Plan Mérida. Calderón perdeu apoio popular e os cartéis vencem a tal guerra. Uma guerra cujas vítimas fatais, em quase 80%, são de civis inocentes.

Obama, na nova estratégia, fala em apoio aos parceiros internacionais na repressão. Não deixou claro que tipo de apoio. Sabe-se, no entanto, que não apoiará os militarizados planos de War on Drugs, tipo Plan Colômbia, Plano Dignidade (Bolívia) ou Plan Mérida (México).

Wálter Fanganiello Maierovitch



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