PORTAL DROGAS   PORTAL DROGAS
  Jundiaí - SP
Acessos: 921.656  
VISITE NOSSO BLOG, FAÇA SEU CADASTRO, PARTICIPE!
Data: 31/08/2010
Local: Auditório do CIESP - Jundiaí
1ª JORNADA JUNDIAIENSE DE ATUALIZAÇÃO EM DEPENDÊNCIA QUÍMICA - INSCREVA-SE AQUI

MENU  
  :: Home  
  :: Legislação sobre drogas  
  :: Adolescente e Família  
  :: Cursos - 2010  
  :: Tratamento  
  :: Downloads  
  :: Prevenção  
  :: Cadastro de Clínicas  
  :: Galeria de Fotos  
  :: Fale Conosco  

 

AMOR EXIGENTE

 

AMOR EXIGENTE

 

 
  Notícias Fonte tamanho pequeno Fonte tamanho médio Fonte tamanho grande
21/01/2010 16:48:19
Saúde inaugura clínica pública para dependentes químicos no interior do Estado
fotoUnidade de Itapira oferece atividades esportivas, terapêuticas e assistência médica. São 35 leitos para usuários de crack e cocaína, e 70 para alcoólatras.

As mãos habilidosas de Ana Maria(*), 30 anos, colorem e embelezam a caixa de madeira. A peça, agora roxa, ressalta técnica de efeito mesclado. É uma das atividades prediletas da jovem na ala pública para tratamento de dependentes químicos, recém-inaugurada no Instituto Bairral de Psiquiatria, em Itapira, a 180 quilômetros da capital paulista.

Ana Maria é professora de português, desempregada, e mãe de uma criança de cinco anos. Ela conversa sem reservas e consciente de suas dificuldades com as drogas. Ainda na adolescência experimentou maconha, cocaína e álcool. Depois, encontrou no crack alternativa para enfrentar os problemas da vida. Com a ajuda dos Narcóticos Anônimos (NA) e de tratamento psiquiátrico, ficou limpa durante quase dez anos. A sobriedade foi interrompida após a gravidez, quando contraiu depressão pósparto. Abandonou os NA e a ajuda médica e voltou a usar crack. Resultado: síndrome do pânico, suspeita de transtorno bipolar e tentativa de suicídio.


Depois de algum tempo, decidiu retomar as consultas médicas e o auxílio dos Narcóticos Anônimos.

Mora com a mãe e a filha em Mogi Mirim e está internada na clínica há cerca de um mês. Ali, segue a programação diária dedicada aos dependentes de drogas ilícitas (principalmente cocaína e crack). Depois do café da manhã, Ana Maria e outras 34 pessoas, todas com mais de 18 anos, participam de esportes coordenados por professor de Educação Física e monitores.
Na área aberta tem piscina para atividades aquáticas (hidroginástica e bigboll), campo de futebol e local para caminhada.

Regras do jogo

Em breve, os exercícios serão complementados com a instalação de barras de alongamento. Enquanto seguem a orientação dos educadores, os pacientes apreciam visão panorâmica e vasta área verde, fronteiras das cidades paulistas com Águas de Lindoia, Amparo, Serra Negra e da mineira Jacutinga. “

Nos esportes, o jovem (principal faixa etária consumidora de cocaína e crack) reflete sobre as regras do jogo, conceitos de ganhar e perder de forma saudável. Ensinamos como lidar com seus limites e frustrações”, informa o psiquiatra Ivan Ramos de Oliveira, diretor técnico da clínica do Instituto Bairral.

À tarde, das 13h30 às 15h30, os pacientes são integrados nas atividades de terapia ocupacional, entre elas arte em madeira, miçanga, pintura em gesso, tapeçaria e tear.

“Muitos internos desconheciam essas técnicas, mas com o tempo reconhecem suas habilidades”, conta a terapeuta ocupacional Márcia Helena Leite de Moraes Nogueira. Mas essa descoberta não é tarefa simples, pois no início são “resistentes e querem trabalhar do jeito que sabem”.

Com habilidade para lidar com esse público e muita paciência, Márcia e os monitores ensinam a arte e observam as mudanças em cada dependente químico. O aprendizado também é acompanhado por psicólogo e enfermeiro. “Aqui, eles aprendem a obedecer às regras, como horário para fumar e tomar café. Ocupam o tempo com a produtividade e se conscientizam de que na sociedade existem regras”, frisa a terapeuta.

Desintoxicação

Na sequência, a psicóloga Priscila Jacheta Lauri coordena reunião de grupo para conscientizar o dependente sobre sua doença, motivação para tratamento e prevenção de recaída. A profissional atende individualmente no início e término da internação. A ajuda psicológica está disponível quando a própria pessoa solicita ou se a equipe multidisciplinar julgar necessária. A grade diária inclui consulta com psiquiatra e clínico geral e medicação apropriada.

“Alguns chegam com a vida desestruturada, autoestima diminuída, dificuldades para entender o porquê do problema e solucioná-lo. Outros são reinternos. Quando saem, percebem parte da qualidade de vida antes perdida. Desenvolvem
habilidades artísticas surpreendentes e melhoram a autoestima.

Aqui é o preparatório para a continuidade do tratamento lá fora”, avalia a psicóloga. Ana Maria passou por um mês de tratamento na clínica pública do Instituto Bairral e se preparou para comemorar a virada de 2009 para 2010 com a família, quando teve alta médica. Sua expectativa é que 2010 também seja o ano da virada da sua vida.

“Gostei da assistência porque o pessoal dedica toda a atenção aos internos. Mas a pessoa tem de querer mudar e a mudança vem de dentro de cada um de nós. A ajuda psicológica em questões emocionais e espirituais é muito importante. Agora, vou retomar o papel de mãe que sempre foi meu, mas não exercia porque passava a noite toda na rua. Aqui, aprendi que sempre terei sintomas da abstinência, mas preciso lidar com a situação. Nessas horas, falo de coisas boas da vida e converso com os profissionais”, explica.

Para o segundo semestre de 2010, Ana Maria planeja retomar os estudos. Trinta dias é a média de internação na instituição. O diretor Oliveira explica que um mês é o tempo apropriado para a desintoxicação. A ideia é que a pessoa continue o tratamento lá fora – nos NA ou no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de cada município.

“A assistência aqui não é muito longa para oferecermos a vaga a outras pessoas. Detectamos que a ausência de vagas públicas para tratar crack e cocaína é um problema nacional”, ressalta Oliveira.

Diferencial

Com capacidade para prestar serviço a cerca de 1,2 mil pessoas por ano, a assistência de cada interno na clínica representa investimento de R$ 1.143,00 por mês. Atende 62 municípios paulistas, onde o Instituto Bairral é referência.

O centro de saúde de cada município faz a triagem dos casos de desintoxicação e os encaminha à Central de Vagas de São João da Boa Vista, serviço estadual que distribui as vagas ao Bairral conforme a capacidade de atendimento.

O diretor Oliveira adianta que em fevereiro de 2010 começam a atuar conselheiros dos Narcóticos Anônimos (NA) e Alcoólicos Anônimos (AA) para complementar as atividades do projeto. Os conselheiros são ex-usuários de drogas que compartilharão suas experiências de vida com os internos.

Planeja-se realizar palestras diárias, geralmente no final da tarde. O Instituto Bairral de Psiquiatria existe desde 1937. Localiza-se numa área verde e construída de 40 hectares. Ao todo, a unidade reserva 511 leitos ao Sistema Único de Saúde (SUS), sendo 105 vagas criadas recentemente.

As demais se destinam ao atendimento de quadro psiquiátrico. Outros 309 leitos são oferecidos a pacientes conveniados e particulares. Na área privada, a assistência é considerada diferencial por tratar dependentes de álcool e drogas, portadores de neuroses, transtornos psicóticos em clínicas específicas, de acordo com o diagnóstico.

O Bairral possui clínicas com estrutura, equipes e projetos terapêuticos conforme a doença. Exclui a possibilidade de convivência de pacientes que nada têm em comum, o que assegura grande avanço no tratamento. A unidade de Itapira é a segunda clínica pública para adultos dependentes de álcool e drogas criada pelo Estado.

A primeira foi inaugurada no início de 2009, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Laços familiares

Nos dois meses de funcionamento da clínica, Oliveira avalia o resultado como muito bom:

“Registramos baixo índice de intercorrências. Houve poucos casos de internos que pediam ao visitante para trazer droga. Mas isso faz parte e ocorre num nível muito menor do que imaginávamos”.

Até o momento não há acompanhamento da saúde dos ex-internos. A transgressão de comportamento na clínica é avaliada caso a caso. Por exemplo, se a pessoa apresentar sintomas de confusão mental, agitação, risco de fuga ou de suicídio, uma saída é encaminhá-la à enfermaria especial da UTI psiquiátrica. Ela tem oito leitos e oferece atendimento médico e psicológico diários.
Nessa ala, não há atividades esportivas nem terapêuticas. Embora a visita dos familiares contribua para a melhora da saúde do interno, a participação é restrita pela precária condição financeira, avisa Oliveira:

“Há parentes que trazem o usuário e só retornam na clínica na hora da alta. Alguns não aparecem nem para internar a pessoa. Nesse caso, ela chega de ambulância”.

Uma das metas do projeto é fazer o dependente refletir sobre o seu comportamento para estar apto a reconstruir os laços familiares no futuro.

(*) Nomes fictícios

Viviane Gomes

Projeto vai receber R$ 1,5 milhão por ano

O tratamento de dependentes químicos funciona desde outubro do ano passado. Dispõe de 105 leitos: 35 para usuários de crack e cocaína e o restante para alcoolistas.

O serviço público é uma parceria entre o Instituto Bairral de Psiquiatria, a Secretaria de Estado da Saúde e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O Bairral, um dos principais centros de psiquiatria do Brasil, oferece o espaço físico e funcionários para o funcionamento do projeto terapêutico. A administração estadual investirá cerca de R$ 1,5 milhão por ano.

Ronaldo Laranjeira, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, responsabiliza-se pela coordenação da iniciativa e capacitação da equipe multiprofissional, composta por 50 funcionários, entre clínicos gerais, psiquiatras, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, assistentes sociais.

Usuários de álcool seguem programação diferenciada em outro ala. A grade inclui atividades simultâneas (tear, desenho, pintura, horta, costura e tapeçaria). O atendimento ocorre separadamente porque usuários de crack e cocaína e alcoolista têm perfis diferentes. O psiquiatra Ivan explica que o alcoolismo atinge pessoas mais velhas, em média com 30, 40 anos.
“Esse cidadão, geralmente, já conquistou estrutura de trabalho e familiar, mas perdeu tudo devido à bebida e sofre as consequências físicas”.

Já o crack e cocaína atingem a população mais jovem e adolescente.

“São produtos mais pesados e mais nocivos com resultados imediatos”, explica o psiquiatra. Esse dependente químico geralmente não constitui família.

Vive de relações promíscuas e pode gerar filhos de pais diferentes. É comum o alto poder de dependência com consequências físicas e neurológicas bem mais sérias que no alcoolismo.

Para suprir sua necessidade química, possivelmente o viciado se envolve em pequenos crimes, furtos e até mesmo com violação mais séria, como latrocínio (roubo seguido de morte)

Mais trabalho e exercício físico

Marcelo(*), 45 anos, é separado e não tem filhos. Sua carreira de fotógrafo e escritor foi interrompida no dia 23 de novembro do ano passado, quando sua família o internou na clínica do Instituto Bairral.

Gosta de ingerir álcool desde os 17 anos, mas admite que nos últimos cinco o abuso começou a atrapalhar seu trabalho:
“Cheguei contrariado, mas fui bem recebido e aproveito ao máximo a oportunidade de aprendizado. Vejo com a experiência de meus colegas daqui o que pode acontecer comigo se não me cuidar”.

Para se livrar da tentação das festas de fim de ano, pediu o adiamento de sua alta.

“Quando estiver lá fora, pretendo ocupar meu tempo com mais trabalho, produção criativa e exercício físico. Agora, quero ter um estilo de vida diferente de antes”, planeja.



VISITAS: 1064
NENHUM COMENTÁRIO DEIXADO ATÉ AGORA!!!

 
:: + Notícias
07/08/2010 - Alckmin diz que droga chega a SP por omissão do governo federal
07/08/2010 - Distrito Federal consome 2 toneladas de cocaína por ano, estima PF
07/08/2010 - Caminhada contra o Crack exercita solidariedade
07/08/2010 - Foco da Lei de Drogas também foi o de garantir tratamento ao usuário
07/08/2010 - Segurança pública: o que propõem os presidenciáveis
07/08/2010 - PRESIDENTE MEXICANO COGITA LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS PARA CONTER NARCOTRÁFICO
07/08/2010 - Adriano é inocentado em inquérito
07/08/2010 - Tênis com drogas enviado pelo Correio a preso é interceptado por agentes da Susepe
25/05/2010 - Leitura obrigatória sobre as drogas: Uma visão policial sobre política de drogas
25/05/2010 - Droga. Obama não surpreende ao apresentar sua estratégia focada em prevenção e tratamento.
25/05/2010 - Rituais do Daime escondem uso de drogas
25/05/2010 - Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas
25/05/2010 - Audiência pública debate tráfico de drogas
25/05/2010 - Prevenção de drogas é tema de Concurso de Jingle na Capital
10/04/2010 - Parlamento do R.Unido decide proibir mefedrona
 
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
166 Resultados | 1 / 12
 
[ VOLTAR ]
 

Portal Drogas
Fone 55.11.45213899 - Fax 55.11.45220117 - Jundiaí-SP-Brasil
E-mail: drogas@drogas.org.br - Drogas.org.br