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:: - Uma grande verdade
Postado por blog em 01/03/2010 na Categoria : Reflexão SubCategoria : Artigos

Uma saudade!

Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé.

Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

- Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos.

Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

- Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando- nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras.

Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha - geralmente uma das filhas – e dizia:

- Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga?

A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança...

Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam....
era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida.

Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa..

A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão.

Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail...

Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa.

Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

- Vamos marcar uma saída!... - ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades  enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas. Pra que abrir?

O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!

José Antônio Oliveira de Resende, Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei

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:: - Falando de Drogas - Entre Linhas
Postado por blog em 20/11/2007 na Categoria : Reflexão SubCategoria : Artigos

Segundo um estudo recente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) - que Rui Rio tem vindo a colocar nas bocas do mundo, devido ao programa “Porto Feliz” -, cerca de 40 por cento dos toxicodependentes que estão nas ruas nunca se submeteram a qualquer tipo de tratamento.

A estes há que acrescentar os que (ainda) não estão nas ruas, e que vão conseguindo  a droga para os seus consumos, ou porque traficam, ou porque  ainda mantêm o seu posto de trabalho, ou porque têm rendimentos ou famílias que lhes suportam financeiramente o vício. É um retrato  perturbador de larguíssimos milhares de pessoas, homens e mulheres, com a sua vida pessoal e familiar destruída, que pouco ou nada podem dar aos outros ou ao país.

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:: - Você tem Experiência?
Postado por blog em 15/10/2006 na Categoria : Reflexão SubCategoria : Artigos

O texto abaixo foi supostamente escrito durante um processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: Você tem experiência?

A redação foi supostamente desenvolvida pelo candidato Leandro Nascimento dos Santos que hoje é Técnico Automação. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso. Ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

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