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:: - Drogas? Tô fora!
Postado por blog em 16/12/2007 na Categoria : Notícias SubCategoria : Últimas Notícias

No Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), realizado em escolas públicas e particulares de todo o País, as crianças assumem papel de seriedade e firmam o compromisso de resistir a toda forma de drogas e de violência.

Para os brasilienses, esse é apenas um dos motivos para comemorar: em 2008, o programa completa dez anos na cidade e hoje integra as atividades do Gabinete-geral da Polícia Militar do DF. Dias atrás, o juramento foi citado mais uma vez por cerca de 70 alunos do 5º ano do colégio Inei, na Asa Norte, que se formaram na presença de pais, professores e funcionários do colégio.

“Prometo ser fiel aos ensinamentos do Proerd e prometo que a dedicação e a força estarão presentes em minha vida, assim como saberei dizer não quando me oferecerem drogas”, foi um dos juramentos feitos pelos alunos, que acompanharam as atividades do programa durante cerca de três meses


No Proerd, um policial militar visita semanalmente a escola, onde ensina às crianças os efeitos e conseqüências do uso de drogas, como resistir às pressões de amigos para o consumo, e formas de evitar a violência. O programa é a versão candanga do Drug Abuse Resistance Education (Dare), criado em Los Angeles (EUA), em 1983. Atualmente, é aplicado em mais de 50 países, com sucesso também no Brasil.

O colégio Inei adota o Proerd desde que o projeto foi criado. Ele faz parte do Projeto Afetivo-sexual da escola, que neste bimestre abordou o assunto “corpo humano”, com discussões sobre os órgãos do corpo humano, a reprodução, entre outros.

Para a orientadora educacional do 2º ao 5º ano do Inei, Solange Branco, os projetos se complementam por ajudarem a desenvolver a auto-estima, levando os alunos a refletirem acerca de valores e atitudes. “Surgiu da necessidade de criar oportunidades que possibilitassem a vivência da sexualidade de forma sadia e responsável, e aliada ao afeto”, explica.

Durante o programa, o cabo Márlon Timóteo orientou as crianças em aulas, uma vez por semana. Segundo ele, as crianças saem do curso preparadas para resistir à pressão de amigos e estranhos, além de se informarem sobre temas que têm sido destaques, como os perigos nas festas rave e o abuso sexual de menores. “Esta é a hora em que a criança está formando a personalidade e entrando na adolescência”, explica ele.

Mas, para o policial, a presença do militar em sala de aula também é importante por mexer nas fronteiras sociais. A afetividade entre os alunos e o policial se desenvolve durante o curso e ganha destaque na formatura, quando pais e alunos buscam o policial do programa para tirar fotos e agradecer pelo trabalho. “O Proerd veio para quebrar toda a barreira que a comunidade tem com o policial e o policial com a comunidade”, explica.

Cristiana Aguiar, uma das mães que acompanharam a formatura, acredita que o policial tem uma influência importante nessa fase, em que o pai é “careta” e quem tem a droga não é.  “São meninos que idolatram os policiais, e ter aula com um professor fardado tem uma importância muito grande para eles”, afirma Aguiar.

Papo sério e também muita brincadeira

A forma como o programa trata o tema, por meio de conversas, dinâmicas e brincadeiras, aproxima o policial das crianças, que ficam à vontade para discutir os assuntos propostos.  “Falar de temas atuais também faz com que o curso fique interessante.

Eles se abrem para falar coisas que às vezes não falam para os pais”, revela Márlon. “Têm muitos meninos que choram no final do curso”, afirma o policial, que se graduou em 1999 , na segunda turma de instrutores formados para o Proerd no DF. Nesse período, ele acredita que já instruiu cerca de 12 mil estudantes brasilienses.

Conversar com as crianças sobre o assunto em casa ainda é uma dificuldade que muitos pais e alunos encontram no dia-a-dia. Por esse motivo, aponta Solange, o Proerd é uma forma de estimular os pais a abordarem o assunto também dentro da família. “As crianças contam o que viram, debateram e conheceram em sala de aula, e então, é uma grande oportunidade para os pais conversarem a respeito também”.

A pedagoga Lucimara Morais acompanhou a formatura da segunda filha e acredita que é interessante ter outro profissional para tratar do tema, além do pai e do professor. “Isso quebra o estigma de que o policial é um repressor, porque ele entra em sala como um educador e age através da emoção” ressalta a mãe.

Depois do programa, ela se mostra mais segura para o caso de oferecerem drogas às crianças. “Pode ser que amiguinhos queiram oferecer drogas, e agora elas têm argumentos para dizer não”, defende.

Já a professora Meire Faria ficou sabendo do projeto por meio das primas de Minas Gerais e achou importante que a filha Renata participasse do programa. De uma turma de 23 alunos, Renata  foi uma das crianças que se empolgaram com as lições feitas em casa e com um grupo de amigas.

“Fizemos um cartaz e lições sobre o mal que as drogas fazem. Achei muito bom”, entusiasmou-se.

Para Meire, que freqüentou as reuniões realizadas com os pais, chamar a atenção para a influência das companhias é o aspecto mais importante do programa. “Ela brinca muito com os colegas embaixo do bloco e sempre acompanho para saber o que está acontecendo”, explica. “É uma iniciativa muito válida para despertar o interesse sobre o assunto e seria bom que todas as escolas fizessem”, afirma.

Além das aulas para o 5º ano, o Proerd também realiza, com menor freqüência, o curso para turmas do 7º ano e para os pais de alunos. Mas, para tanta demanda, há pouco recurso e equipe. Atualmente, cerca de 30 instrutores são responsáveis pelas atividades nas escolas brasilienses, o que, para Márlon, é um número muito inferior ao necessário:  “A princípio, damos prioridade para o 5º ano devido à pequena quantidade de instrutores em Brasília”.

Versão candanga de programa americano que leva policiais às escolas para conscientizar as crianças sobre riscos do uso de entorpecentes completa dez anos. Em mais uma formatura, turma do Inei garante que vai resistir às tentações


Mônica Pinheiro
mcoelho@jornaldacomunidade.com.br

Fonte: comuniWeb

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